Com certeza não dizer a verdade,
se omitir em dizê-la, é uma forma de mentir. Pq na omissão vc tem a clara
oportunidade de dizer a verdade, mts vezes é compelido a dizê-la, mas não diz.
Isso por medo das consequências da verdade ou simplesmente com medo de magoar o
outro.
E sempre que nos omitimos,
acabamos nos silenciando. Mas silenciar é sempre se omitir? Nem sempre... As
vezes a pessoa apenas se cala, sem ser questionado por isso, pensando ser o
melhor a fazer para evitar discórdias.
Há um texto mt interessante do
psicoterapeuta Alberto Lima sobre isso e deixo para vcs a seguir:
O problema com o silêncio na relação está em que ele se
oferece como uma perigosa tela em branco para as mais
terríveis suposições. Muitas vezes aquele que cala
imagina, ingenuamente, que assim evita conflitos. Na verdade dá
ensejo a eles. A pessoa submetida ao silêncio é compelida
a mergulhar num torturante jogo de adivinhações, sentindo-se na
maior parte das vezes impotente para mudar a situação. De caso
pensado ou não, o silêncio consiste num exercício tirânico e
perverso de poder.
Silenciar é uma forma de excluir o outro e, em geral, assume
aos olhos do interlocutor o valor de uma punição. Com a
interrupção da comunicação, teme-se que se tenha retirado também
o afeto.
“Foi algo que eu fiz?”;
“Foi algo que eu não fiz?”;
“Foi algo
que eu disse?”;
“Um esquecimento, uma mancada?”,
“Ofendi?”;
“Magoei?”;
“Feri?”;
“Onde foi que errei?”.
As hipóteses levantadas são inúmeras
e, na maior parte das vezes, autorreferentes (formuladas na
primeira pessoa), justamente em razão de o silêncio ser percebido
como uma punição “merecida”, ainda que se desconheça o crime
cometido. Esse tipo de leitura costuma ser feito por quem, a priori,
se sente culpado. Incide, também, na vida de quem coloca o
parceiro ou parceira no lugar de uma figura parental — a autoridade
paterna ou materna —, que, então, teria em suas mãos o “divino”
direito de deliberar sobre o certo e o errado, sobre o valor e sobre
o destino do “filho” ou “filha”.
Para superar a dificuldade — ou grande parte dela —, é preciso,
antes de mais nada, que a pessoa submetida ao silêncio reconheça o
caráter simétrico da relação (em contraste com a assimetria esperada para
uma estrutura relacional pai/mãe-filho/filha).
O silêncio é uma forma de comunicação, com a peculiaridade e o
agravante de ser “vazio”. A psique não tolera esse vazio e, então,
preenche-o com suposições de toda ordem. Isso facilmente resulta em
insanidade, atordoamento, sofrimento psíquico. Levando-se esse fato em
conta, é fundamental brecar o levantamento de hipóteses e
solicitar do interlocutor o clareamento de sua comunicação
silenciosa. Costuma ajudar quando a vítima do silêncio é capaz
de comunicar seus sentimentos.
“Sinto-me refém de seu
silêncio”;
“Sinto-me punido (punida) por algo que
desconheço”;
“Não compreendo o que o levou (a levou) a modificar
nosso padrão de comunicação”;
“Sinto-me disponível para ouvir
e tentar compreender, mas, para isso, vou precisar que você seja
claro (clara)”;
“Sinto-me mais seguro (segura) quando o que se passa
pode ser explicitado”;
“Acho importante você saber que,
diante de seu silêncio, eu me sinto impotente.”
A transparência tem a grande vantagem de não enlouquecer,
mesmo quando seu conteúdo é desagradável. A tortura do silêncio
é infinitamente mais lesiva para o interlocutor do que qualquer realidade que
o silencioso escolha calar.
A relação amorosa precisa ser democrática. Ou não será amorosa. O
uso perverso do poder por meio do silêncio precisa ser cassado pela
vítima. Esse gesto libertará a ambos, uma vez que a situação que se
instala não é justa nem saudável para ninguém. É o dominado que
autoriza o dominador — portanto, pode, da mesma maneira, desautorizá-lo.
Concordo com ele... vale a reflexão. Bjs

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